Atentado na Somália, terror e caos em meio à fome aguda e à seca. Entenda

Mogadício foi alvo de um ataque terrorista no sábado que deixou mais de 300 mortos. A falta de atendimento adequado às vítimas agrava a situação de um país cuja história é ligada à guerra, ao terrorismo do Al Shabab, à pirataria no Oceano Índico e à seca extrema.

Mogadício, capital da Somália, foi alvo de um ataque terrorista no sábado que deixou mais de 300 mortos. A falta de atendimento adequado às vítimas agrava a situação de um país cuja história é ligada à guerra, ao terrorismo do Al Shabab, à pirataria no Oceano Índico e à seca extrema que faz com que 6,7 milhões de pessoas, metade do país, precisem de ajuda humanitária urgente. Dessas, 275.000 crianças sofrem de desnutrição aguda severa, o estado mais perigoso, aquele que as coloca à beira da morte. A ONG Save the Children atende essas crianças e suas famílias em hospitais e em campos de refugiados. Se a situação não melhorar, o país enfrentará sua terceira declaração de estado de fome, após a de 1992 e a de 2011 que deixaram milhares de vítimas. Na foto, civis deixam área de atentado em Mogadíscio, a capital da Somália, em que aos menos 302 já morreram. Dezenas ainda buscam parentes desaparecidos após o ataque do sábado. Caos no atendimento dos feridos é só uma faceta das agruras em que o país está mergulhado, com a volta com força da pirataria, o terrorismo e seca e a fome aguda.

Na Somália, 739.000 pessoas precisaram deixar obrigatoriamente seus lares em busca de alimento e passaram a viver em campos de refugiados como o de Hodo, norte da Somália. As famílias, em sua maioria mulheres e crianças, levantam as cabanas com o mínimo, com pedaços de tela e plásticos.

As mulheres mais velhas do país não se lembram de uma situação de seca igual, apesar de viverem duas declarações anteriores de fome, em 1992 e em 2011. Enquanto os homens se movem com o gado em busca de pastos, as mulheres e as crianças ficam nos campos de refugiados à espera da ajuda humanitária.

Os rios na Somália estão secos por culpa da falta de precipitações há quatro anos e previsões que indicam que na próxima estação de chuvas, que começa em outubro, nada irá mudar. Por isso, a situação nutricional e de acesso à água potável pode deteriorar-se gravemente. De secas a cada 10 anos, o país passou a sofrê-las anualmente.

No hospital de Garowe, norte da Somália, as crianças internadas com desnutrição aguda severa recebem tratamento nutricional da Save the Children. Além da escassez de alimentos, a falta de água limpa provocou a propagação de doenças como o cólera.

Amena e seus dois filhos, de quatro anos e sete meses, sobrevivem em um campo de refugiados de Puntlandia, norte da Somália. O menor sofre de desnutrição e, momentos após a foto, foi levado ao hospital para receber tratamento nutricional. “Não tenho nada, minhas 50 cabras morreram e não há leite para as crianças”, conta Amena entre lágrimas.

A paisagem dos campos de refugiados da Somália é formada majoritariamente por mulheres e crianças. As famílias se separam: os homens caminham com o gado sobrevivente em busca de pastos e o resto fica nos campos sem nenhum tipo de recurso. A única prioridade é subsistir, salvar a vida.

Sahra vive com seus cinco filhos em um barraco no campo de refugiados de Hodo, no norte da Somália. Esta mulher chegou neste lugar inóspito depois de caminhar mais de 160 quilômetros e ver dois de seus filhos morrerem de fome pelo caminho. Uma de suas filhas sofre de desnutrição aguda severa. Neste campo 1.000 pessoas sobrevivem no mais absoluto desespero.

Internet / El Pais

Foto: El Pais